Quase 7…

E ela continua engatinhando de ré pela casa mas aprendeu a girar pra direção que quer, o que a torna especialmente veloz (e resmungona quando por engatinhar de ré acaba com os pézinhos presos embaixo de algum móvel).

Esse final de semana resolveu aproveitar a visita das madrinhas e desenvolver habilidades novas… Descobriu sábado que além de ficar em pé ela pode levantar o pé e está ensaiando uns passinhos. Não é exatamente “andar”. É levantar o pé, perder o equilíbrio, colocar o pé no chão num lugar diferente e ensaiar a mesma coisa com o outro pé e perceber que está se locomovendo, de um jeito bem torto, com as pernas dobradas e zero equilíbrio próprio. Não importa: ela fala pelos cotovelos e ri empolgadíssima com sua nova habilidade.

Também cismou que não quer mais tomar banho de banheira sentada. Quer é ficar em pé. Como desde o susto da queda da cama baixamos o colchão do berço e a banheira passou a ficar no chão, dentro do box, fora o fator “surpresa” (ela resolveu fazer isso a primeira vez no sábado e não teve jeito de fazer ela sentar de novo) e a minha coluna reclamando, não tem muito problema. O mais chato é o fato de que ela não fica em pé sozinha ainda, então eu tenho de segurar a teimosinha com uma mão e dar banho com a outra.

Está começando a querer associar alguns sons: papai é “dadá”, eu sou “mamama” e os gatos são “ga”, independente do felino que estiver por perto. Ela fala “gá” e sorri para eles. Mas mamar ainda é “uhu-uhu-uhu…” e está aprendendo a mandar beijo.

Como as coisas acontecem na hora certa, depois de uns seis meses e meio mais ou menos ela começou a pegar o jeito nesse negócio de “comer” e parou de empurrar a comida com a língua. Até agora a comida preferida é papa de manga e ela rejeita terminantemente o cereal que o pediatra passou para ela. Tentei Neston e Mucilon de milho e ela tranca a boca e vira a cara ou bota a mão na frente da colher e empurra pra longe… Em compensação passou a se interessar e fazer olho comprido para o que a gente está comendo e a pedir e até agarrar a mão da gente pra deixar bem claro que ela QUER! Com isso já provou (pedacinhos, sem casca e semente) de azeitona, jaboticaba, uva itália, passa, amora, pitanga e até o salgadinho de milho que o pai deu mole e ela pegou enquanto eles estavam vendo TV 😛

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6 Meses… E a Carmen ligou o turbo no desenvolvimento!

Ela fez 6 meses na segunda dia 19… Não sentando direito ainda sem o apoio das mãos, sem rolar, sem engatinhar… curiosamente, ela gosta de ficar em pé segurando a mão da gente, mas não gosta de ficar sentada sozinha. E de repente, na quinta dia 21 ela começou a “engatinhar” se arrastando em círculos em cima da cama de casal…

Viajamos para o Rio na quinta à noite porque domingo dia 25 foi o batizado dela. Sábado ela se divertiu passeando com a gente pelo Rio, provando sorvete de baunilha do Bob’s (literalmente enfiando a cara no sorvete e se lambuzando hehehe) e dando gargalhadas gostosas no meio do bosque do mirante do Pão de Açúcar… aí de madrugada resolveu aprender a rolar na cama de casal – à uma da manhã!

Domingo foi o batizado (que merece um post à parte) e ela conheceu a Alice, filha do Bruno Urmen… e resolveu aprender com o exemplo da Alice e começar a engatinhar… de marcha a ré!

Voltamos para São Paulo e ela descobriu que pode mudar de posição na banheira se ficar sentadinha e usar as mãos para se apoiar… e eu achei que essa seria a maior novidade da semana. Aí ela resolveu que todos os acontecimentos dessa primeira semana com seis meses não eram suficientes e me deu O susto: levou o primeiro tombo rolando da cama 🙁

Ainda bem que ficou só no susto… e agora eu tenho de prestar atenção triplicado nessa mocinha engatinhante e rolante explorando a casa!

 

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13 Anos

Você já ouviu essa história antes. E eu me lembro de tudo como se fosse ontem. Era janeiro, o ano tinha acabado de virar e eu fui na médica reclamar que estava me sentindo estranha. Ela disse para mim “você está grávida” e eu disse que não. Ela teimou tanto comigo que eu fui fazer um exame de sangue. E deu positivo. No dia seguinte eu estava de volta ao consultório médico, pedindo um remédio para me ajudar a segurar essa gravidez. Porque eu queria muito ter você, Gabriel. Eu lutei um bocado para garantir que você nasceria e faço questão de dizer que você foi e é muito, muito querido e muito, muito, muito amado mesmo. Eu sei que sou uma mãe chata de ficar repetindo o quanto eu te amo, mas, cara, eu te amo muito mesmo.

Eu lembro a primeira vez que vi teu coração batendo no monitor do ultrassom. Eu nem preciso fechar os olhos para lembrar quando a enfermeira te trouxe, fazendo biquinho, para os meus braços e você mamou a primeira vez. E eu passei um ano inteiro curtindo a sua bebêzice, vendo você devorar a vida com olhos curiosos e aprender sobre o mundo muito rápido mesmo. Passei 4 meses sem dormir por causa das cólicas. Pisquei o olho e você estava virando e pulando da cama e do berço. E dando os primeiros passos.

Eu te abracei muito e fiquei com o coração apertado no primeiro dia na creche-escola Tia Lalá, mas você se divertiu horrores. E num de repente misterioso, você estava aprendendo a escrever e desenhando letras e fazendo desenhos a guache do meu lado enquanto eu desenhava no computador. Eu inventava músicas engraçadas para fazer você rir e fazia as vozes de todos os personagens quando lia para você dormir. E muitas vezes acabei dormindo na tua cama primeiro que você.

E você cresceu e se tornou um menino especial. Eu sempre fui muito reservada e achei um barato que você conheça e cumprimente todo mundo da vizinhança pelo nome, cheio de intimidade. Você sempre fez amizades com uma tremenda facilidade e tem um jeito de sair tomando decisões e liderar as brincadeiras que sempre me fez te admirar porque eu sempre fui tímida demais para isso quando tinha a sua idade. E você não tem preconceitos e nem sequer consegue entender porque algumas pessoas não têm os mesmos direitos que as outras… E o mais importante, por mais que deixe a gente meio doido: você nunca parou de perguntar “porquê”. Aquela curiosidade de saber como as coisas funcionam que eu via nos teus olhos desde que você era um bebêzinho continua até hoje. O mundo hoje em dia me ajudou a saber um bocado de coisa pra te responder, o Google e a Wikipedia ajudam um bocado. Mas eles não ajudam a responder o que acontece depois que a gente morre ou porque existem pessoas racistas no mundo…

Eu adoro ver você lendo livros sobre seus temas preferidos e acho que você passa tempo demais jogando no computador quando podia estar brincando lá fora, mas acho que isso quer dizer que somos mais parecidos do que eu gostaria, né? Eu também passo tempo demais no computador.

Queria ter tido mais tempo para brincar com você e sei que te deixei sozinho muitas vezes, mas a vida de mãe solteira é difícil e eu tinha de trabalhar, cuidar da casa, te ajudar com o dever de casa e ainda tentar ter um tempo pra mim e sei que muitas vezes eu pisei na bola, mas espero que um dia quando você for mais velho você entenda que eu fiz o meu melhor possível diante das circunstâncias e que eu pensei em você a cada segundo estes anos todos. E você sempre foi a principal razão para me fazer seguir em frente lutando. Esse amor imenso que eu tenho por você, essa vontade de te ver crescer e te dar tudo que estiver ao meu alcance para fazer você feliz.

Não sei como, eu pisquei os olhos e você está ficando um rapaz. Você diz que as meninas da escola não acham você bonito, mas eu sei que daqui a algum tempo uma delas vai olhar para você com estrelas nos olhos. E você em breve vai olhar para uma menina com estrelas nos olhos e o coração quase explodindo, também. Tua história como adulto está apenas começando e você nunca vai esquecer teus 13 anos. Não sei se você vai conseguir seguir a carreira que você sempre quis, ou quantos dos teus sonhos de infância você vai realizar. Você está entrando numa fase em que a gente muda muito e os sonhos também. Eu só quero estar por aqui vendo você crescer e continuar sorrindo orgulhosa, te apoiando e dando bronca ou um abraço quando você precisar. E te ver voar, meu anjo. Espero que você voe longe!

E antes que eu me esqueça de encaixar em algum lugar, eu fico toda boba de você conseguir tirar músicas de ouvido. Eu tinha esse talento com 13 anos, quando ganhei meu violão, mas nunca segui adiante, nunca consegui aprender. Espero que você curta mais teu presente de 13 anos do que eu curti o meu   😉

Essa mãe boba já disse que te ama muito hoje, né? Feliz aniversário, Gabriel!

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5 Meses

Carmen_PepeAonde a Carmen está, a Persephone está junto =)

Estava conversando com o pediatra na consulta e parei para ver quanta coisa ela está fazendo de 4 meses para cá! Vira de lado, de um lado para o outro, quase rola. Não reclama mais de ficar de bruços e não só se apoia nos cotovelos como tá tentando firmar os bracinhos… e está ensaiando ficar sentada. Se eu deixar ela segurar meus dedos com as mãos, deitada de barriga pra cima, ela faz força com os bracinhos e se ergue até sentar. Aí perde o equilíbrio e cai de lado rs…

Para minha surpresa ela está falando bem menos estas últimas semanas, mas em compensação está se mexendo muito mais. Ela quase não dorme de dia a não ser no peito, o que nos leva ao ponto da grande novidade este mês: ela está querendo mamar com MAIS frequência e não menos. Estava mais ou menos de 2h30 em 2h30 horas, agora quer mamar com mais frequência (fora a mordeção: morde meu peito, morde o dedo, morde a mão de quem estiver ao alcance… tudo serve para coçar a gengivinha)

O pediatra resolveu introduzir as papinhas de frutas mais cedo por conta disso…

Carmen comendo papinha de frutas

Mas pelo menos por enquanto não sei se ela está pronta. Estamos experimentando com banana amassadinha, maçã e pêra raspadinhas. Ela come duas colheres babando horrores, ainda coloca muito a língua pra fora e depois não quer mais. Ou melhor, quer: usar a colher vazia como mordedor rs… E de preferência tirar ela da minha mão e segurar sozinha para roer a colher à vontade. Dali a pouquinho a fome bate e ela pede peito.

Bom, vamos aos poucos… É interessante pensar em como a gente tem de aprender tudo na vida. Até a mastigar e engolir.

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1 ano de blog

Se alguém me dissesse no começo de agosto de 2010 que dali a um ano as coisas estariam tão mudadas, eu riria.

Que eu iria sair do emprego que eu adorava pra ir cuidar da minha gravidez.

Que eu iria acordar todo dia com a risada gostosa de uma bebê bochechuda que daqui a 3 dias fará cinco meses. Eu, mãe novamente. Eu, mãe de menina.

Eu, vendo meu filho pelo Skype, em outro Estado, fazendo planos pro aniversário de 13 anos dele.

A vida tem esse jeito de deixar a gente humilde diante da força dela, sabe. Me pergunto onde estaremos no próximo ano. Bom, quando chegarmos lá eu descubro, um dia de cada vez.

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4 meses e meio

Carmen 4 mesesCarmen está se desenvolvendo muito bem: já firma a cabeça e ensaia apoiar o tronco nas mãozinhas, que é o primeiro passo para conseguir sentar sozinha. Dá gritinhos, “bate papo” e balbucia um bocado de sílabas. A partir dos 3 meses e meio ela dominou como segurar objetos e agora a diversão está em segurar coisas com as duas mãos, analisá-las cuidadosamente e em seguida tentar colocar na boca e lamber e babar =)

Ela sempre acorda sorrindo e aí quem fica babona sou eu, claro.

Fomos ao Rio no começo de julho e ela tomou banho de piscina pela primeira vez (estava um calor como só o Rio de Janeiro consegue ter mesmo no meio do inverno e compramos uma daquelas piscininhas de plástico pra ela) e foi visitada pelos padrinhos do Gabriel, quase todos os tios-avós e as madrinhas dela, além das minhas amigas mais queridas. Ela também viu o mar pela primeira vez, mas se interessou mais pelo peito do que pela paisagem hehehe. Em compensação, adorou a cadeira de balanço da avó.

De volta a São Paulo, fomos pela primeira vez ao Cine Materna para ver Harry Potter mas ela não curtiu muito a sessão, ficou cansadinha, choramingou. Fiz uma dobradinha no Luluzinha Camp SP, mas senti que ela estava cansadinha e não deu para curtir tanto quanto eu gostaria de ter curtido. Na semana seguinte teve Tanabata Matsuri na Liberdade, e dediquei um tanzako a ela.

Decidi evitar sair com ela por um tempo e dar saídas mais curtas para respeitar mais o tempo dela (e o meu). Havia pensado em ir à Anima Mundi como vou em todos os anos, mas não dá para sair todo final de semana com a Carmen tão pequena.

Estou tentando voltar a trabalhar de casa e estamos tentando criar uma rotina. Ela ajuda bastante, brincando com seus brinquedinhos e vendo um pouco de TV enquanto a mamãe fica no computador, às vezes até fica no colo numa boa. Sinto que vai ser mais fácil quando ela fizer seis meses e começarmos a introdução de alimentos. Estamos aprendendo como isso vai funcionar, trabalhar de casa etc, mas a decisão mais importante é sempre respeitar o tempo dela.

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Aluguel de brinquedos

Ando pensando num tapete de atividades pra Carmen mas não acho que compensaria comprar um… (talvez num brechó) e ando pesquisando sobre locação de brinquedos. O chato é que, pelo menos por enquanto, não vi um plano de locação de apenas um brinquedo por mês pra testar o serviço (e testar se a Carmen se interessaria por um tapete de atividades, né)

Achei 3 locadores por enquanto:

Clube do Brinquedo
BBZum
Joanninha

Se vocês souberem de mais algum aqui em SP, deixem indicações aí nos comentários!

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Bateu asas e voou

Gabriel e Carmen

Quando fiquei grávida da Carmen, Gabriel disse que queria muito ter uma irmã, que havia 8 anos que ele queria que eu desse um irmão para ele. Eu imaginei que ele ia ser um irmãozão, que como ele já está adolescente ele ia amadurecer mais com o nascimento dela, me ajudar a cuidar dela e eles iam crescer juntos. Ele ia se tornar rapaz, ela ia se tornar uma menininha com um irmãozão.

A realidade foi outra: gritos. Gritos demais. Gabriel passou a desrespeitar e desobedecer todas as regras da casa e da família. O período em que eu passei em Curitiba, em que ele ficou sozinho com o Rafael e depois com a tia do Rafael e a minha mãe foi o início do caos. E mesmo Gabriel tendo realizado tudo o que ele queria (a Carmen nasceu enquanto ele estava em Curitiba, ele pôde visitá-la na maternidade), faltou algo. Apesar de ter quase 13 anos, ele regrediu brutalmente. Passou a gritar e pular na cama enquanto eu amamentava a Carmen para tentar chamar a atenção para ele. Eu ficando nervosa e me vendo obrigada a gritar com ele para parar, a Carmen mamando mal e vomitando ou ficando com cólicas na sequência e querendo colo o dia todo por causa disso. Mal Carmen dormia e eu dizia pro Gabriel pra gente aproveitar que ela tava descansando para a gente fazer alguma coisa juntos, ele gritava até ela acordar de novo, nem cinco minutos de descanso. Carmen no colo, ele pulando pela casa e quebrando coisas e tropeçando e reclamando que eu não me importava quando ele se machucava (com ele se machucando de propósito), não respeitando castigo nem nada nem me dando descanso.

Consulto um médico atrás do outro, dizem que ele tá bem medicado e para continuar com o neurologista atual, e com relação à escola ele parece estar. Apesar das notas terem despencado enquanto eu estava em Curitiba, na escola e no reforço escolar ele só recebe elogios. É de enlouquecer! Ele torna um inferno todo dia de manhã acordá-lo para ir para a escola, e todo dia que ele precisa ir para o curso, e se recusa a ir à natação. De tanto ele faltar à natação e ao curso, acabo cancelando as aulas. Mais tempo com o Gabriel em casa, eu mal descanso com a Carmen durante o tempo em que ele está na escola e já fico receosa de como vai ser quando ele chegar da escola. Alguns dias tenho medo mesmo, quando a gente briga mais forte, que ele não volte para casa. Mas ele sempre volta, e de tarde tudo até fica bem, mas conforme a noite vai chegando ele vai ficando mais agitado. Quando Rafael chega em casa, o caos está instaurado e eu não consegui fazer absolutamente nada que não fosse cuidar da Carmen e apagar incêndios.

Todo mundo diz que ele está com ciúmes da Carmen e que isso é normal, que temos de ter paciência. Ninguém está dentro da minha casa para ajudar e ninguém ensina como lidar com um garoto de 12 anos hiperativo em crise apresentando sintomas de transtorno opositor-desafiador. Eu temo pelo desenvolvimento da Carmen. Quero criar minha bebê num ambiente calmo, minha casa é um inferno tão grande que tem dias que eu deixo ele sozinho e vou andar com ela de carrinho sem querer voltar para dentro da minha própria casa, perdida, sem saber o que fazer. Eu me sinto um fracasso como mãe. Ele não me obedece e não respeita o que eu falo para ele. Ele não aceita limites. E eu me sinto muito, mas muito sozinha mesmo em SP, longe dos meus amigos, sem ter com quem conversar e dividir essa barra.

Começo a levar ele para a terapia de grupo, mas quando ele volta comigo parece piorar mais ainda em casa. Eu falo para o neurologista que ele fica bem na escola mas em casa está impossível, e pergunto se não dá para dividir a Ritalina em duas dosagens, uma pela manhã e uma quando ele voltar da escola. Ele diz que é assim mesmo, o efeito da Ritalina passa no fim da tarde e que é para ter paciência à noite e de manhã. Eu não acredito nos meus ouvidos mas aceito, o que vou fazer? Ele é o médico. Enquanto isso começo a temer pela minha própria saúde. Escapei da depressão pós-parto, mas sinto que vou entrar em crise a qualquer momento. Minhas forças estão acabando.

Chegam as férias de julho e eu levo ele para o Rio e meus pais resolvem ficar com ele lá. Tem muitas vantagens nisso: a escola custa 1/4 do preço da escola de São Paulo, ele poderá fazer um curso preparatório para a Epcar, meu pai diz que vai colocar ele para ajudar ele na reforma da casa e mantê-lo ocupado e ser rígido com ele, ele vai ter a atenção individida dos avós. E ele está FELIZ lá, nem está olhando para trás, reencontrou velhos amigos e está se divertindo.
Mas eu olho para o quarto vazio, para este apartamento que eu escolhi pensando nele, penso na escola, nos amigos, no quanto eu lutei para criar ele ao longo de todos esses anos, vejo as fotos dele espalhadas pela casa, em idades diferentes, e tem um buraco no meu peito que não para de doer. Eu queria meus dois filhos do meu lado. Eu sei que em dois anos ele ia fazer a prova e ir estudar em Barbacena de qualquer forma, que ele ia ter de voar e correr atrás dos sonhos dele de ser piloto da FAB. Eu sei que a Carmen é nova demais para entender o caos em casa e os gritos e que isso não é ambiente para criar bem um bebê. Eu só não sei o que eu faço com meu coração e como eu paro de chorar, por tudo que não é e tudo que não foi e tudo que não vai ser.

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Desabafo de mãe

Todo dia é a mesma coisa. Estou andando com a Carmen na rua, dentro de um sling vermelho. Ela está usando um macacão roxo com uma flor imensa numa das pernas. As pessoas que passam na rua viram e falam: “que lindo o seu bebê!” e eu: “é uma menina” (e sorrio, porque sim, ela é linda e a pessoa está sendo gentil).

Porque ela não está vestida de rosa (mas também não está vestida de azul, e desde quando vermelho é masculino?)

Porque eu não furei as orelhinhas dela. E porque deveria submeter a minha filha ainda bebê a sentir dor e modificar o corpo dela só para significar que ela é uma menina? Eu não precisei modificar o corpo do meu filho para sinalizar que ele é menino. Eu digo: Ela é muito nova para decidir, quando ela crescer ela escolhe.
Eu tenho dois furos na orelha porque EU escolhi furar, o primeiro com 10 anos e o segundo com 14. Se ela quiser furar um dia (ou fazer piercings, que no fundo são a mesma coisa mas em lugares menos socialmente aceitos) será uma escolha DELA.

Me encheram tanto o saco nos últimos dois meses que eu evito sair de casa com a Carmen sem colocar um arco ou banda na cabeça dela. E mesmo assim, com um arquinho com flores na cabeça, AINDA me perguntaram se é um menino.

O marido também já notou e tuitou: “se não estiver coberta de rosa da cabeça aos pés, as pessoas não acham que é uma menina.

Eu digo mais: “menino” é padrão. Menino pode ser qualquer coisa, se vestir de qualquer jeito. Ser menina atualmente (porque isso foi construído socialmente e tem menos de 30 anos, eu já era nascida quando essa cultura do rosa começou a ser imposta) é ser o outro. Você precisa sinalizar a diferença, precisa explicitar o gênero, precisa usar um uniforme de menina para se adequar e ser identificada como tal.

Eu não cresci me vestindo de princesa barbie cor de rosa, minha filha vai continuar se vestindo com roupas bonitas, coloridas e adequadas para um bebê (e olha,  juro que ela só deve ter 3 peças de roupa azuis que só uso em casa para evitar confusão). Mas que cansa ter de ter o mesmo diálogo sempre e sempre e sempre que eu saio de casa, ah cansa!

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2 meses e meio

2 meses e meioA Carmen começou a dar risada com cerca de 40 dias, respondendo ao sorriso da gente ou simplesmente sorrindo sozinha. Agora, tem ensaiado balbuciar e conversar falando “aga”, “agu”. Ela segue as pessoas com os olhos e presta bastante atenção em tudo o que vê e começou a prestar atenção na TV, em desenhos animados e qualquer tipo de programa que toque música. Estamos todos meio palhaços em casa, fazendo de tudo para ver ela dar sorrisos e gargalhadas.

O primeiro passeio foi ainda em Curitiba, no Cine Materna. Fomos assistir Rio (quer dizer, eu vi, ela dormiu e mamou, não necessariamente na mesma ordem).  Depois veio a grande viagem de volta para São Paulo, seis horas de ônibus-leito que ela encarou numa ótima. O problema foi se adaptar em casa, ficou enjoadinha e chorou por dois dias.

Em São Paulo tenho levado ela comigo no sling que ganhei da Maísa ou no carrinho de bebê. Idas ao mercado da esquina, tomar vacina no posto de saúde e, no final de semana retrasado, os primeiros “passeios” em SP: precisamos ir na Liberdade e no shopping-metrô Tatuapé para fazer compras e ela ficou no sling de boa.

O primeiro passeio mesmo da Carmen em SP foi este domingo. Finalmente levamos ela para passear de carrinho no Parque da Aclimação. É em frente de casa (literalmente), mas o tempo não estava ajudando.

Se não fosse pelos ciúmes do Gabriel, tudo seria perfeito…

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